Resumo

Os sinais do Caminho que primeiro nos ocorrem são os que se pintam ou se expõem: a seta amarela, a vieira isolada ou num marco em pedra. Mas há um «sinal» mais antigo do que todos esses: a porta aberta no final de uma etapa. Esta comunicação apresenta o Albergue Cidade de Barcelos como um dos sinais vivos do Caminho Português de Santiago, situando-o na longa história da Hospitalidade Jacobeia: dos hospitais medievais exaltados pelo Codex Calixtinus ao Hospital do Espírito Santo que a própria vila de Barcelos manteve durante séculos, e deste ao renascimento contemporâneo da acolhida tradicional por donativo e voluntariado. Descreve-se depois o modelo de gestão do Albergue, que desde 2012 acolheu perto de quarenta mil peregrinos de todo o mundo: o edifício e o seu programa de Hospitaleiros Voluntários; as ferramentas que adota para a proteção do peregrino que acolhe; a sustentabilidade económica que garante à Associação a liberdade de defender a tradicional Hospitalidade Jacobeia; e a dinâmica quotidiana e cultural. A partir de três casos de hospitalidade vividos, defende-se que a Hospitalidade é, ela própria, um sinal: talvez o único que o peregrino leva consigo depois de partir. A comunicação encerra com um alerta e um apelo: em Portugal continua a não existir a figura jurídica de Albergue de Peregrinos (deixando estes juridicamente desprotegidos) e, neste cenário, é tempo de dar, finalmente, nome e proteção legal a este sinal do Caminho.

1. O sinal que não se pinta

O peregrino que atravessa o concelho de Barcelos, de Macieira de Rates a Balugães, orienta-se por sinais. Segue a seta amarela pintada num muro, procura a vieira azul num azulejo, vê passar os quilómetros nos marcos de granito. São sinais necessários: dizem-lhe por onde ir. Mas nenhum deles lhe diz o essencial: que é esperado. Esse sinal, o de que alguém o espera no final da etapa, não se pinta em muro nenhum. Faz-se todos os dias, indicando um colchão disponível, com um carimbo na credencial e com palavras na língua que se estiver «mais à mão».

Atravessar pontes medievais, como a de Puente la Reina ou a Peregrinos de Santiago (ver Figura 1), em Barcelos, é também constatar que a Hospitalidade é uma forma de ser ponte: liga mundos, experiências e pessoas; facilita a passagem onde há rios ou vales profundos; vai muito para além de, simplesmente, abrir as portas. A Hospitalidade é criar um espaço onde as estórias podem ser partilhadas, onde se formam laços e, muitas vezes, as vidas são transformadas. É desta convicção que parte esta comunicação: a de que a gestão e a dinâmica de um albergue de peregrinos não são apenas logística de retaguarda do Caminho: são, elas próprias, Sinal no Caminho. Quem é Hospitaleiro sabe bem o que isto quer dizer.

2. Uma terra que já era sinal antes de haver setas

O Albergue Cidade de Barcelos não nasceu em terreno neutro. O concelho de Barcelos é um dos territórios mais profundamente jacobeus de Portugal: dez freguesias têm Santiago como orago, como são Aldreu, Cambeses, Carapeços, Cossourado, Couto, Creixomil, Encourados, Feitos, Sequeade e Vila Seca, quase todas consagradas ao Apóstolo antes de Portugal ser reino. As Inquirições de 1220 registam «Sancto Jacobo de Vila Sicca» e «Sancto Jacobo de Carapezos»; o Censual de Braga, ainda no século XI, já nomeava «Sancto Jacobo de Incoirados». E já foram doze: Echate, absorvida por Feitos no século XIV, e Moldes, extinta em 1566, cuja igreja resiste como Capela de S. Tiago, em Remelhe (ver Figura 2).


Figura 1: Ponte Peregrinos de Santiago (fotografia de Mariana Lourenço)

 


Figura 2: Santiago em Remelhe (fotografia do autor)


Pelos caminhos que cosem estas freguesias passaram peregrinos durante nove séculos. Anónimos aos milhares, e alguns com nome na História: a lenda relembra o galego injustamente acusado; a tradição faz passar por aqui a Rainha Santa Isabel; D. Manuel I esteve em Barcelos a 9 de novembro de 1502, a caminho de Compostela; e viajantes letrados deixaram relatos escritos da vila, do capelão imperial Valckenstein (1451), o mais antigo que se conhece, ao padre Juan Bautista Confalonieri (1594), que descreveu a sua «muito grande ponte, de arcos compridíssimos, sobre o rio Cávado» e, já no século XVII, o padre italiano Laffi registou a devoção ao Bom Jesus da Cruz.

Mas a marca mais universal que a peregrinação jacobeia deixou em Barcelos não está em documentos: está representada em cima de milhares de prateleiras em todo o mundo. A Lenda do Galo de Barcelos é uma lenda do Caminho de Santiago: um peregrino galego, de passagem pela vila a caminho de Compostela, é injustamente acusado de roubo na hospedaria onde pernoita e condenado à forca; levado perante o juiz, que se banqueteava, aponta o galo assado que estava na mesa e declara que a ave cantará como prova da sua inocência. E o galo, erguendo-se, canta.

A lenda pertence à grande família jacobeia do «milagre do enforcado», que o próprio Codex Calixtinus atribui a um peregrino de Toulouse e que tem o seu paralelo mais famoso em Santo Domingo de la Calzada (ver Figura 3), a vila do Caminho Francês «donde cantó la gallina después de asada», que mantém viva a memória com um galo e uma galinha na catedral. Barcelos protege a sua versão em pedra no Cruzeiro do Senhor do Galo, cruzeiro setecentista à guarda do Museu Arqueológico, e potencia-a, sobretudo, no ícone a que se ligou: o galo voou das prateleiras de Barcelos para se tornar símbolo do próprio país. Vale a pena dizê-lo: o mais famoso símbolo de Portugal no mundo é, também, um sinal do Caminho Português de Santiago, nascido, tal como os de Toulouse e de Santo Domingo, da memória de um peregrino que passou e de uma injustiça que se desfez.

Há aqui uma ironia que os hospitaleiros do Albergue saboreiam com gosto. Repare-se no enredo: a lenda assenta num peregrino que foi enganado e traído numa hospedaria de Barcelos, precisamente o tipo de casa que o Albergue é hoje. A má fama das hospedarias nem sequer era só lenda: em 1611, o viajante Jacobo Sobieski, pai do futuro rei da Polónia, sentenciava por escrito que, em Portugal, «os estalajadeiros são ladrões».

De cada vez que, à noite, um hospitaleiro conta a lenda a um peregrino acabado de acolher, está, no fundo, a contar-lhe a história do que lhe podia ter acontecido em Barcelos há séculos. A cidade, entretanto, e felizmente, aprendeu. Cada acolhimento na Rua Miguel Bombarda é, assim, uma pequena reparação da velha traição fundadora: onde uma hospedaria (ou uma estalagem) condenou um peregrino inocente, um albergue doa hoje hospitalidade a todos, sem julgar nenhum (como o mostrará, adiante, o segundo caso desta comunicação). O galo já cantou; cabe-nos, a nós, hospitaleiros, garantir que não volte a ser preciso… e esperar que os famosos galos assados de Barcelos, hoje servidos como iguaria, não se lembrem de se erguer e cantar nas mesas dos restaurantes da cidade (ver Figura 4).



Figura 3: Representação da Lenda de Santo Domingo de la Calzada (fotografia do autor)


Figura 4: Galo assado (fotografia do autor)


Importa recordar um episódio recente desta longa história, porque acaba por enquadrar a necessidade de fundação do Albergue. Em 1998, no congresso «Barcelos Terra Condal», o Padre Arlindo de Magalhães Ribeiro da Cunha terminava o seu estudo sobre a devoção a Santiago no concelho com um apelo: lamentava que os milhares de peregrinos que atravessavam Barcelos não encontrassem na cidade um espaço próprio para pernoitar, com condições básicas. Perguntava se seria pedir demais. O Albergue Cidade de Barcelos, aberto em 2012 na Rua Miguel Bombarda, é, talvez, a resposta a esse apelo (em conjunto com os restantes Albergues existentes no concelho de Barcelos). Quando hoje se acolhe ali um peregrino, não se está apenas a dar-lhe cama: está-se a continuar nove séculos de Hospitalidade Jacobeia nesta terra.

Ainda mais anteriormente, a história da assistência em Portugal mostra que Barcelos teve, ela própria, as suas instituições de acolhimento: para além da Gafaria, destinada aos leprosos, a vila manteve o Hospital do Espírito Santo, junto ao eixo urbano, na Rua de Santa Maria, destinado a acolher os doentes pobres e também os peregrinos de passagem, função que, com a fundação da Misericórdia de Barcelos e a provisão de D. Manuel I, transitou para a administração da Santa Casa, que continuou a albergar peregrinos no seu hospital. A lápide comemorativa ainda hoje visível no edifício da Câmara Municipal recorda que ali funcionaram, durante 336 anos (1500–1836), a Capela do Espírito Santo e o Hospital. Quando o velho hospital fechou portas, no século XIX, a cidade perdeu uma função que exercera durante séculos. O Albergue Cidade de Barcelos não é, portanto, apenas a resposta a um apelo de 1998: é a devolução à cidade de um ofício antigo, o de dar pousada aos peregrinos, interrompido durante quase dois séculos.

3. Do hospital medieval ao albergue de donativo: a Hospitalidade como instituição do Caminho

A hospitalidade jacobeia tem, ela própria, uma história institucional de quase mil anos. O modelo do Albergue Cidade de Barcelos, longe de ser uma invenção recente, é o elo mais novo de uma cadeia muito antiga. Até à primeira metade do século XI, a peregrinação a Compostela atraía sobretudo gente rica e próxima do poder, que viajava com comitiva e recursos próprios; a assistência organizada era escassa porque era desnecessária. Foi o crescimento do fluxo de peregrinos, a partir de meados do século XI, que levou monarcas, nobreza e bispos a fundar e dotar hospitais ao longo da rota, de Santa Cristina de Somport a Roncesvalles, erguido no século XII para os peregrinos que atravessavam os Pirenéus por Navarra, ou ao Hospital del Rey de Burgos, fundado por Afonso VIII de Castela. Os séculos XII e XIII marcaram o auge; a partir do final do século XIII, com o crescimento do número de peregrinos pobres e enfermos, paróquias, confrarias e leigos tomaram o protagonismo do trabalho assistencial, uma transferência da coroa para a sociedade civil que, como veremos, se repetiria oito séculos depois.

O fundamento espiritual desta rede ficou escrito no século XII no Liber Sancti Iacobi, o Codex Calixtinus, hoje Memória do Mundo da UNESCO. O seu sermão mais célebre, o Veneranda Dies, expõe o sentido da peregrinação medieval (caminho espiritual, penitencial e comunitário) e faz do dever de acolher o peregrino uma obrigação de todos os cristãos. O mandamento de fundo é o mesmo que fecha o primeiro caso desta comunicação: «fui estrangeiro, e vós me acolhestes». Em Portugal, essa obrigação materializou-se numa rede densa de albergarias, instituições gémeas dos hospitais, tipicamente associadas às vias de comunicação e destinadas a peregrinos e viandantes que precisavam de pernoitar e de se proteger dos perigos do caminho. A partir dos séculos XV e XVI, a Coroa promoveu a aglutinação dos pequenos hospitais nas Misericórdias, processo de que o Hospital do Espírito Santo de Barcelos, entregue à Santa Casa local, é exemplo acabado.

O declínio das peregrinações a partir da Idade Moderna adormeceu esta rede, mas não a extinguiu enquanto ideia. Quando o Caminho renasceu, nas décadas de 1980 e 1990, o modelo que os pioneiros foram buscar foi precisamente o antigo: acolhida gratuita ou por donativo, sem reservas, reservada a peregrinos com credencial, servida por voluntários. Entre os primeiros albergues propriamente ditos deste renascimento conta-se o que a confraria de Santo Domingo de la Calzada pôs em marcha, ponto de referência de muitos posteriores, tal como o Albergue de Peregrinos de S. Pedro de Rates, no Caminho Português de Santiago; diversas entidades organizaram, a partir de então, o movimento dos hospitaleros voluntarios, que exige aos candidatos terem sido peregrinos e frequentarem formação específica, exatamente o modelo que a Associação ACB pratica em Barcelos. Este renascimento não está, porém, garantido: os analistas do fenómeno jacobeu observam que a acolhida gratuita tradicional vive em tensão permanente com os interesses comerciais e turísticos que encontraram no Caminho um filão, e que, sem os hospitaleiros voluntários, os albergues de acolhida tradicional teriam praticamente desaparecido. É neste quadro que o modelo do Albergue Cidade de Barcelos deve ser lido: não como arcaísmo simpático, mas como escolha deliberada, e cada vez mais rara, de manter viva a forma original da Hospitalidade Jacobeia.

As ciências sociais ajudam a explicar porque é que este modelo, aparentemente frágil, resiste. A antropologia da peregrinação, desde Victor Turner, descreve o estado de liminaridade do peregrino (suspenso das suas hierarquias e papéis quotidianos) e a communitas que daí nasce: comunidades espontâneas de iguais, onde estatuto e classe se dissolvem. É exatamente o que se observa, todas as noites, na mesa de um albergue: «na mesa dos albergues, todos somos iguais». E a economia do donativo encontra a sua teoria no clássico ensaio de Marcel Mauss sobre a dádiva: ao contrário do preço, que extingue a relação no momento do pagamento, a dádiva cria um laço e uma obrigação livre de retribuir, não necessariamente a quem deu, mas adiante, a outro. O donativo do peregrino de hoje paga a cama do peregrino de amanhã; o peregrino de hoje é acolhido pela doação do peregrino de ontem; o peregrino bem acolhido regressa como Hospitaleiro. É a «economia circular da gratidão» que posteriormente se refere, e é por isso que reduzir o donativo a um «preço flexível» ou a «grátis» é entender pouco do que ali se passa.

4. A gestão: um abrigo que vive do que dá

O Albergue é gerido pela Associação ACB – Albergue Cidade de Barcelos, associação privada sem fins lucrativos, sem qualquer tipo de apoio público, dotada de órgãos sociais democraticamente eleitos. O seu modelo assenta em três pilares simples de enunciar e exigentes de manter: o donativo livre e voluntário (não há preço de dormida), isto é, há a liberdade de cada peregrino dar o que pode e o que sente, em numerário ou em qualquer outro tipo de doação; o voluntariado hospitaleiro (a casa é servida por quem dá o seu tempo, não por quem vende o seu trabalho); e o acolhimento exclusivo de peregrinos, portadores de credencial, a caminho de Santiago de Compostela, de S. Bento ou de outro destino de peregrinação. A missão cabe na divisa que a Associação adotou: o Albergue não vende alojamento: doa Hospitalidade a Peregrinos.

Os números dão escala ao que este modelo tem construído. Desde a abertura, em 2012, o Albergue acolheu perto de quarenta mil peregrinos. O pico histórico foi atingido em 2019, com 4.381 peregrinos num só ano; após a rutura pandémica de 2020, a retoma foi plena em 2022, com os anos seguintes estabilizados entre os 3.800 e os 3.900. A título de exemplo, em 2025, a casa acolheu peregrinos de 62 países: a Alemanha à cabeça, seguida da Itália e da Espanha, com os europeus a representarem 73% do total. A idade média ronda os 43 anos, mas a distribuição é notavelmente plural: dos jovens adultos de 26–35 anos, o grupo mais representado, aos peregrinos com mais de 56 anos, que já somam quase um terço do total. Numa cidade média do Minho, uma casa com vinte camas recebe, todos os anos, o mundo inteiro.

A «casa», na Rua Miguel Bombarda, n.º 36 (ver Figura 5), é deliberadamente simples, e a sua descrição é, em si mesma, um manifesto do modelo. Tem capacidade para acolher, como referido, vinte peregrinos, em três quartos comunitários; dispõe de uma cozinha de uso livre, com fogão, micro-ondas e frigorífico; lavandaria com tanque; e acesso livre à internet por Wi-Fi. Não dispõe de roupa de cama (disponibiliza descartáveis de proteção de colchão e almofada, opção que é também uma medida deliberada de higiene e de prevenção de pragas, que tem como outro lado da balança o custo ambiental). O acesso é exclusivo a peregrinos portadores da Credencial do Peregrino (ver Figura 6), devidamente preenchida, e de documento de identificação pessoal. Tudo o que o peregrino precisa está lá; tudo o que o turista exigiria, não.



Figura 5: Representação do Albergue Cidade de Barcelos, por Carlos Basto (fotografia do autor)


Figura 6: O carimbo na Credencial de Peregrino (fotografia do autor)


Este modelo tem consequências práticas na gestão diária que vale a pena explicitar, porque é nelas que a filosofia se torna real. Viver de donativos obriga a uma disciplina rigorosa e a uma transparência absoluta. Cada descartável, cada lâmpada, cada melhoria (como as cabines instaladas nos duches em 2025 ou os sistemas de aproveitamento da luz solar) é fruto direto da generosidade de quem passou. Depender de voluntários obriga a formar hospitaleiros e a transmitir uma cultura de acolhimento baseada em regras definidas, mas com a liberdade de cada voluntário poder fazê-lo à sua maneira. E a sustentabilidade constrói-se também com engenho: a loja online da Associação expede milhares de artigos para todo o mundo, funcionando simultaneamente como fonte de receita e como canal de divulgação do Albergue.

O voluntariado, por seu lado, não é deixado ao acaso: está organizado num programa próprio de «Hospitaleiro Voluntário», com regulamento próprio, aprovado em Assembleia-Geral, que define normas de admissão e de funcionamento: a inscrição faz-se junto da Direção da Associação, e a permanência pode ser em regime diário (assumindo a gestão da casa num único dia) ou semanal, pernoitando no Albergue por períodos de uma a duas semanas. O regulamento fixa, mais do que procedimentos, uma ética: o hospitaleiro acolhe com fraternidade, não «recebe» nem «presta um serviço oneroso»; acolhe todo e qualquer peregrino, sem distinções ou restrições; não força a entrega de donativo algum; e assenta a sua ação num serviço altruísta e gratuito, sem esperar nada em troca. O programa está aberto a todo e qualquer peregrino, e a Associação apresenta-o exatamente como aqui se tem defendido: ser Hospitaleiro Voluntário é uma outra forma de fazer o Caminho de Santiago, uma possibilidade de contribuir para a informação e o apoio aos peregrinos que percorrem o Caminho Português de Santiago, promovendo a Peregrinação e a Hospitalidade Jacobeia (e a barcelense). É o fecho prático do círculo da dádiva descrito atrás: a casa que acolhe peregrinos oferece, a cada peregrino acolhido, a via formal para se tornar, ele próprio, acolhedor.

Importa desfazer aqui um equívoco frequente: acolhimento simples não significa acolhimento desprotegido. O Albergue, mesmo tendo como objetivo primeiro um acolhimento despojado, por donativo livre e voluntário, não abdica das ferramentas que considera essenciais para a proteção do peregrino que acolhe. A Associação comunica à AIMA (Agência para a Integração, Migrações e Asilo) todos os peregrinos acolhidos. Fá-lo por opção, não por imposição: entendendo-se que essa comunicação não é obrigatória para um acolhimento sem ânimo de lucro, a Associação considera-a essencial, como forma de colaborar com as autoridades e como contributo concreto para a promoção da segurança no Caminho Português de Santiago (porque um peregrino que dorme numa casa que sabe quem acolhe é um peregrino mais protegido). À mesma lógica obedecem a videovigilância instalada, o protocolo de proteção contra pragas (com particular atenção aos percevejos, o flagelo silencioso dos albergues de todo o Caminho) e o reforço em curso da segurança contra incêndio, cujo Projeto de Segurança Contra Incêndio se encontra já aprovado pela ANEPC. Doar hospitalidade não dispensa, antes exige, o rigor técnico: a gratuitidade do acolhimento nunca pode ser desculpa para acolher com menos segurança do que aquela que se exigiria a quem cobra.

Há, por fim, uma consequência do modelo que raramente se enuncia e que talvez seja a mais importante de todas: a sustentabilidade financeira como condição de liberdade. A Associação alcançou um modelo de gestão economicamente sustentável (donativos, loja online, voluntariado,…) e isso permite-lhe agir livremente: sem necessidade de agradar a patrocinadores, sem ter de direcionar a sua atividade de informação e apoio aos peregrinos pressionada por interesses comerciais ou por acordos de prestação de serviços. Quando um peregrino pergunta ao Albergue por um caminho, um serviço ou um alojamento na etapa seguinte, a resposta que recebe não tem dono. Num tempo em que, como se viu, a acolhida tradicional vive em tensão permanente com os interesses comerciais que encontraram no Caminho um filão, esta independência não é um detalhe contabilístico, mas a garantia de que a Associação pode defender livremente os valores em que assenta: os associados à Peregrinação, ao Caminho de Santiago e à tradicional Hospitalidade Jacobeia. A sustentabilidade económica é, no Albergue Cidade de Barcelos, o alicerce da liberdade.

A gestão de um albergue de donativo é, no fundo, um exercício permanente de confiança em duas direções: confia-se que o peregrino doará o que puder e que considerar justo e sustentável; e o peregrino confia que aquilo que doa servirá da forma mais eficiente o peregrino seguinte. É uma economia circular da gratidão que funciona há séculos, porque assenta num princípio que os hospitaleiros conhecem bem: quem foi bem acolhido quer, um dia, acolher.

5. A dinâmica: o dia de um albergue e o ano de uma casa

A dinâmica do Albergue tem dois ritmos: o do dia e o do ano.

O ritmo do dia é o que qualquer hospitaleiro reconhece. A manhã é de despedidas e de limpeza; a casa prepara-se para recomeçar do zero. A tarde é de chegadas: a porta abre, e começa o pequeno ritual que se repete mas nunca é igual: a credencial, o carimbo, a cama atribuída, as regras do espaço, a pergunta sobre os pés e sobre a etapa de amanhã. O fim de tarde e a noite é de convívio: peregrinos de diferentes partes do mundo e de culturas díspares sentam-se juntos, e o pão e o vinho sobre a mesa, sem carregarem o peso sagrado da Última Ceia, lembram-nos o valor da comunidade e da importância de dividir o que temos.

O ritmo do ano é o da vida cultural, porque a Associação entende que acolher não é só dar cama: é dar sentido ao território que o peregrino atravessa. O calendário dos últimos anos ilustra-o bem: apresentações de livros e/ou conferências de temática jacobeia na comunidade (ver Figura 7); formações de Hospitaleiros Voluntários; atividades de limpeza e manutenção do Caminho Português de Santiago no concelho de Barcelos (ver Figura 8); Concursos Internacionais de Fotografia «Barcelos no Caminho de Santiago»; a celebração do Dia de Santiago, com teatro, música e queimada galega na própria Rua Miguel Bombarda; a participação em várias edições do Encontro Internacional de Hospitaleiras e Hospitaleiros do Camino Portugués a Santiago, em Pontevedra; a série de divulgação «10 Oragos de Santiago em Barcelos», que deu a conhecer, freguesia a freguesia e com apoio em fontes primárias, os nove séculos de devoção jacobeia do concelho; e, a fechar o ano, a Ceia de Natal dos Hospitaleiros, de que adiante se falará, porque nela aconteceu um dos episódios que melhor define esta casa. Um albergue que investiga, divulga e celebra a história do seu território está, também aí, a ser sinal: ensina o peregrino a ler a terra que pisa.



Figura 7: Conferências de promoção do Caminho de Santiago organizadas pela Associação (fotografia do autor).


Figura 8: Atividade de limpeza e manutenção do Caminho Português de Santiago no concelho de Barcelos (fotografia do autor)
 

6. Ser Sinal: três casos de hospitalidade

A teoria da Hospitalidade cabe em poucas linhas; a sua verdade demonstra-se em casos concretos. Recupero três episódios que vivi e registei em «Trazer o Caminho para Casa», porque cada um mostra uma face diferente do mesmo sinal.

Primeiro caso: a porta que se abre antes de se saber quem é. Era dia de Ceia de Natal dos Hospitaleiros Voluntários no Albergue Cidade de Barcelos. Curiosamente, nesse dia a casa não tinha tido o privilégio de acolher nenhum peregrino, e um Albergue de Peregrinos sem Peregrinos é meramente um espaço, um chão com paredes e um telhado. Veio o tradicional bacalhau cozido para a mesa; no fim da refeição, sobrava na travessa um vigoroso lombo que ninguém queria, e um lugar vazio, deixado por uma criança que fora brincar para os beliches. Até que se ouviu bater à porta. Chovia intensamente. Estava frio e escuro. Um homem curvado, encharcado, com uma mochila que personificava vários quilómetros percorridos (especialmente de vida), pediu autorização para entrar. Preparava-se para dormir num jardim ali perto quando um barcelense o informou da nossa existência. Pediu desculpa e avisou, desde logo, que não tinha muito dinheiro.

Peregrino, ninguém te pediu dinheiro. Entra!

Ao contrário das nossas casas, em que só mandamos entrar quando sabemos quem é, num Albergue manda-se entrar antes de se saber quem é, tal como o «Entre quem é» da hospitalidade transmontana. O quadro da Ceia alterou-se por completo: estavam agora vinte Hospitaleiros para um Peregrino, e o lombo negligenciado encontrou destino digno no único lugar vazio da mesa. A conversa foi caminhando e, a certa altura, perguntámos-lhe o nome. «Chamo-me Jesus», respondeu. Fez-se silêncio. Nessa noite, a Ceia de Natal do Albergue teve Jesus à mesa, porque se escutou, se respeitou e se valorizou o outro. «Pois tive fome, e me destes de comer; fui estrangeiro, e vós me acolhestes.»

Segundo caso: o Hospitaleiro não é Juiz. Num sábado em que uma emergência médica me levou a assegurar o acolhimento no Albergue, chegou um peregrino que, confesso, me despertou desconfiança: um homem de cinquenta anos, fluente em espanhol, com documento de identificação alemão. Fiz o check-in com as minhas dúvidas instaladas. Minutos depois, esse peregrino iniciou comigo uma conversa de circunstância que se tornou tertúlia jacobeia e, de repente, tinha um homem feito a chorar à minha frente. Contou-me que a filha, que vivia em Cuba, lhe telefonara um dia a pedir-lhe que fizesse por ela o Caminho de Santiago, porque não tinha forma de o fazer. Ele prometeu, sem saber ao certo o que prometia. Meia hora depois, o telefone tocou de novo: a filha tinha posto termo à vida.

«E depois disto, hospitaleiro, venho para o Caminho todos os anos. Hei-de fazê-lo até ao final da minha vida, nem que o tenha de percorrer de gatas.»

Perguntei se lhe podia dar um abraço. Aceitou sem dizer uma palavra. Os meus preconceitos iniciais transformaram-se em peso na consciência, por ter achado que as minhas funções de Hospitaleiro me davam a qualificação de Juiz. O Caminho não é lugar de julgamentos, e o Albergue não é uma sala de audiências: cada mochila que entra pela porta carrega uma história que não se vê. Ser Sinal é, também, acolher sem julgar.

Terceiro caso: o Peregrino também acolhe o Hospitaleiro. A terceira lição recebi-a do outro lado do balcão. Em Melide, peregrino a Santiago pelo Caminho Francês, fui abruptamente convidado a sair de um alojamento por ter feito uma simples pergunta sobre a reserva: «Se non estás ben, sai». Mais tarde, a responsável pediu-me desculpa. Disse-lhe que não havia nada a desculpar, que estava em paz e que também ela devia e podia estar. Mas o episódio deu-me a lição inversa de todas as anteriores: como peregrino, levei, inconscientemente, aquela mulher a perder o controlo, sem entender, num primeiro momento, o seu cansaço e a sua luta diária para manter a casa aberta. O Hospitaleiro acolhe o Peregrino, mas o Peregrino também acolhe o Hospitaleiro. Um peregrino não é um cliente; deve ser alguém que, mesmo cansado no fim da etapa, tem a capacidade de perceber o Caminho de quem o acolhe.

O turista exige, o Peregrino agradece.

Três episódios, um denominador comum: em nenhum deles o sinal foi um objeto ou uma infraestrutura. Foi sempre uma pessoa a fazer, por outra, um pouco mais do que o estritamente devido. São, afinal, a communitas de Turner e a dádiva de Mauss vistas ao rés-do-chão: a mesa onde as hierarquias se dissolvem, o dom que não pede troco e por isso cria laço. Num Albergue em Hornillos del Camino, no Caminho Francês, dei comigo a contar quantas das catorze Obras de Misericórdia se praticavam, ao vivo, à minha volta num simples fim de tarde de albergue: dar pousada aos peregrinos, visitar os enfermos, dar bons conselhos, consolar os tristes... O que o Codex Calixtinus prescreveu no século XII continua a acontecer, todas as tardes, sem que ninguém precise de o decretar. É essa margem, o que se dá além do devido, que transforma um serviço em Hospitalidade e um edifício em Albergue.

7. Um sinal juridicamente invisível: a ausência de estatuto legal do albergue de peregrinos em Portugal

Antes de concluir, não se pode deixar de apontar uma fragilidade que ameaça tudo o que atrás se descreveu. Portugal tem hoje um regime pioneiro de certificação dos Caminhos de Santiago, uma originalidade portuguesa na preservação e valorização de rotas jacobeias, com comissão de certificação própria e caminhos formalmente reconhecidos por portaria. Certificámos os caminhos; esquecemo-nos, porém, dos Albergues. Porque a verdade é esta: no ordenamento jurídico português não existe, até hoje e sem qualquer justificação conhecida, a figura jurídica de Albergue de Peregrinos. O Estado reconheceu o traçado, o património e a sinalética, mas as estruturas que há mil anos constituem a base material da peregrinação, que acolhem o peregrino ao fim de uma etapa, permanecem legalmente invisíveis.

As consequências desta omissão são concretas e quem gere um albergue conhece-as bem. Sem figura própria, um albergue de peregrinos só consegue «encaixar-se», por aproximação forçada, em regimes pensados para outra coisa. Este desajuste manifesta-se em dois pontos críticos. No licenciamento, os serviços municipais não dispõem de enquadramento para classificar o uso de um edifício que não é estabelecimento comercial, não é equipamento social típico e não é habitação, com a incerteza correspondente nos requisitos de utilização, nas vistorias, na segurança contra incêndio e na fiscalidade, resolvida caso a caso e de forma desigual pelo país. E nos seguros de responsabilidade civil, o mercado segurador não tem categoria para um edifício que acolhe dezenas de desconhecidos por noite sem qualquer relação comercial: o seguro obrigatório existente foi desenhado e regulamentado para o alojamento local, e um albergue de donativo fica entregue a soluções avulsas, mais caras e de cobertura incerta, quando o que está em causa é, justamente, a proteção do peregrino. Estas estruturas estão, em suma, muito pouco defendidas ao nível legal.

E não se diga que a omissão é compensada por outras vias, porque a experiência de catorze anos do Albergue Cidade de Barcelos demonstra o contrário. Até à data, os únicos apoios externos recebidos vieram de dentro do próprio mundo jacobeu: de associações que mantêm programas de apoio a este tipo de estruturas, como a APOC – American Pilgrims on the Camino, cujo contributo foi decisivo para o aquecimento das águas sanitárias por energia solar, obras no telhado, beliches, entre outros, e, mais recentemente, a Via Lusitana; e da generosidade pessoal do saudoso John Brierley, autor dos guias que puseram milhares a caminhar e, também, sócio honorário da nossa Associação. O Município de Barcelos tem apoiado, mas de forma sobretudo direcionada às atividades de promoção do Caminho Português de Santiago que a Associação organiza para os barcelenses, e não ao funcionamento do acolhimento propriamente dito.

Durante todo este tempo, os albergues tiveram de sobreviver sozinhos. No início, ainda se assumia, com benevolência, que era falta de conhecimento das entidades públicas para o fenómeno do Caminho e para o que é um albergue de peregrinos. Mas agora, depois das tão celebradas certificações (que nada mudaram), a conclusão que se impõe é mais dura: o reconhecimento da figura do albergue de peregrinos não existe porque, simplesmente, não se quer. Em Portugal não se querem promover albergues. São alojamentos não gratos.

Não é preciso inventar nada: basta atravessar o rio Minho. Na Galiza, o Decreto 48/2016 (do 21 de abril, polo que se establece a ordenación dos albergues turísticos) ordenou os albergues turísticos e consagrou expressamente uma categoria própria de «albergue de peregrinos do Caminho de Santiago»: estabelecimentos situados até três quilómetros do Caminho, geridos por entidades sem fins lucrativos e tendo como elemento essencial da sua atividade a função hospitaleira ao peregrino, com regime adaptado, procedimento simplificado de declaração responsável e exclusão dos albergues públicos, que se regem por normativa específica. Ou seja: a região que acolhe todos os peregrinos de todos os Caminhos Jacobeus entendeu que a acolhida tradicional sem fins lucrativos é uma realidade jurídica distinta do negócio de alojamento, e deu-lhe nome, requisitos e proteção. Diga-se com franqueza: bastava ir à Galiza e passar o decreto por um tradutor automático para se emitir o documento equivalente em Portugal. O problema nunca foi técnico. Portugal, com um Caminho Português que é hoje o segundo itinerário jacobeu mais percorrido, continua sem o fazer.

Fica, por isso, o apelo, com a mesma fórmula que em 1998 potenciou o nascimento do Albergue Cidade de Barcelos: seria pedir demais que o legislador português criasse a figura jurídica do albergue de peregrinos, com definição clara (acolhimento de portadores de credencial, por entidades sem fins lucrativos, por donativo, promotores da tradicional Hospitalidade Jacobeia), enquadramento próprio de licenciamento e de segurança, e acesso a seguros de responsabilidade civil adequados? Até lá, resta-nos sobreviver de forma isolada, na feliz loucura que é manter uma porta aberta, 365 dias por ano, para receber o sorriso e o cansaço de quem chega. Sem essa figura jurídica, cada albergue de acolhida tradicional em Portugal continuará a ser um sinal juridicamente invisível: presente no terreno, decisivo para o peregrino, mas camuflado na lei. Os sinais do Caminho merecem melhor, sobretudo aquele sinal que tem porta, telhado e hospitaleiros dentro.

8. Conclusão: a seta e a porta

Regresso à imagem inicial. O Caminho precisa de setas e precisa de portas. As setas orientam o corpo; as portas restauram a alma. A gestão de um albergue (as escalas de voluntários, os donativos, as credenciais verificadas, os hospitaleiros, as condições de salubridade e segurança) pode parecer a parte prosaica do fenómeno jacobeu. É precisamente o contrário: é a infraestrutura invisível que permite ao sinal acender-se todas as tardes, quando a porta da Rua Miguel Bombarda volta a abrir-se.

Durante mais de três séculos, a poucos metros da atual Rua Miguel Bombarda, o Hospital do Espírito Santo deu pousada aos peregrinos de Santiago; fechou em 1836, e Barcelos esperou cento e setenta e seis anos para ver abrir o Albergue Cidade de Barcelos. Em 1998, um estudioso perguntou se seria pedir demais que a cidade voltasse a ter uma porta aberta para os seus peregrinos. Não era. E a melhor prova é que essa casa, hoje, não se limita a existir: acolheu perto de quarenta mil peregrinos de todos os cantos do mundo, investiga e divulga a história jacobeia do seu território, celebra o seu Apóstolo na rua, forma hospitaleiros e, numa noite de Natal, soube abrir a porta a um homem chamado Jesus antes de saber como ele se chamava.

Porque quem é Hospitaleiro sabe bem: no Caminho, as setas indicam a direção; mas é a Hospitalidade que confirma, a quem caminha, que vai no caminho certo.

Bom Caminho!

Fontes principais

Associação ACB – Albergue Cidade de Barcelos — Síntese de Relatório de Atividades, 1JAN2025–31DEZ2025; Análise Financeira 2025 — Mapa de Contas e Comparação Histórica 2023–2025; «Ser Hospitaleiro Voluntário no Albergue Cidade de Barcelos» (programa e regulamento), www.alberguedebarcelos.com.

CUNHA, Arlindo de Magalhães Ribeiro da — «A Devoção a Santiago no Concelho de Barcelos», in Barcelos Terra Condal — Congresso (Actas, 1998), vol. II, Câmara Municipal de Barcelos, 1999, pp. 150–172.

Decreto 48/2016, de 21 de abril, da Xunta de Galicia (ordenação dos albergues turísticos e categoria de «albergue de peregrinos do Caminho de Santiago»), DOG n.º 85, de 4 de maio de 2016.

Decreto-Lei n.º 128/2014, de 29 de agosto (regime jurídico da exploração dos estabelecimentos de alojamento local), e Portaria n.º 248/2021, de 29 de junho (seguro obrigatório de responsabilidade civil no alojamento local).

Federación Española de Asociaciones de Amigos del Camino de Santiago — programa «Hospitaleros Voluntarios» e textos sobre a renovação da hospitalidade tradicional, www.caminosantiago.org.

Inquirições de D. Afonso II (1220) e de D. Afonso III (1258); Censual de Braga (séc. XI).

Liber Sancti Iacobi (Codex Calixtinus), séc. XII, Arquivo da Catedral de Santiago de Compostela — em particular o sermão Veneranda Dies (Livro I). Registo «Memória do Mundo» da UNESCO.

LOURENÇO, Lúcio — Trazer o Caminho para Casa. Ego Editora, julho de 2025.

MARQUES, José — «O culto de S. Tiago no Norte de Portugal», Lusitânia Sacra, 2.ª série, 4 (1992), pp. 99–148.

MAUSS, Marcel — Essai sur le don, 1925 (a dádiva como criadora de laço social).

PIRES DE LIMA, Fernando de Castro — A Lenda do Senhor do Galo de Barcelos e o Milagre do Enforcado, 1965.

Regime português de certificação dos Caminhos de Santiago (portarias de certificação e Comissão de Certificação, 2021 e seguintes).

S.A. de Xestión do Plan Xacobeo — A Rede Pública de Albergues do Caminho de Santiago (criada em 1993 sobre o modelo da rede hospitalar medieval), www.caminodesantiago.gal.

Santa Casa da Misericórdia de Barcelos — «História» (o Hospital do Espírito Santo e a Gafaria; a administração manuelina), www.misericordiabarcelos.org.

TURNER, Victor; TURNER, Edith — Image and Pilgrimage in Christian Culture, Columbia University Press, 1978 (liminaridade e communitas).