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Os pontos negros no Caminho Português de Santiago

Os pontos negros no Caminho Português de Santiago

O Caminho Português de Santiago tem tido palco, no passado recente, de várias iniciativas (financiadas principalmente por Fundos Comunitários) que visaram, por princípio, a melhoria da Peregrinação pelo Caminho Português de Santiago (e suas variantes) e, consequentemente, o Apoio ao Peregrino nas várias vertentes. De facto, foi clara a "invasão" de material publicitário e/ou de promoção turística, da presença em feiras de Turismo, de publicação de "notícias", de sinalização (duplicada, por vezes) e de ações recreativas e culturais que, curiosamente, já constavam (algumas delas) nas programações anuais dos Municípios aderentes. Contudo, não têm sido visíveis investimentos em ações de melhoria da mobilidade em segurança dos Peregrinos, nomeadamente a Rodoviária, visando a diminuição da probabilidade de acidente que possa, eventualmente, ocorrer com o Peregrino.  

Promover o Caminho Português de Santiago passa, também, por melhorar as condições de segurança afetas à Peregrinação devendo-se, de forma constante, desenvolver ações que visem a redução da probabilidade de ocorrência de um acidente visando o superior interesse do Peregrino. Melhorar a sinalização, colocar lombas para redução de velocidade nos tramos coincidentes com vias com trâfego significativo e/ou criar passeios para a circulação pedonal, implementar e sinalizar passadeiras para peões e/ou promover (quando possível) pequenos desvios nas zonas de maior perigosidade deveriam ser, também, investimentos elegíveis nas várias candidaturas a Fundos Comunitários que, por vezes, não aparentam eficácia ou, simplesmente, são a face de um investimento inútil (como é exemplo a corrente duplicação de sinalização).

Os “pontos críticos” do Caminho Português de Santiago no concelho de Barcelos são em número reduzido mas, de facto, estão identificados (e mantêm-se) há já vários anos. Avaliando-se o passado recente, de todos os identificados há vários anos, somente um (em Pedra Furada) foi efetivamente melhorado (ainda que parcialmente); em Pereira, um foi “anulado” pela sinalização de um itinerário alternativo. Em contrapartida, “nasceu” um outro em Lijó, tal como seguidamente é exposto.

É (e tem sido, há vários anos) urgente criar condições para reduzir a probabilidade de acidente e melhorar a segurança da mobilidade dos Peregrinos:

em Courel, os Peregrinos circulam pela “berma” (quase inexistente) de uma via rodoviária com muros de vedação altos que, embora tendo já sinalização informativa sobre a passagem de Peregrinos, a referida sinalização não tem sido completamente eficaz na redução da velocidade de circulação. Desta forma, propõe-se a colocação, por exemplo, de lombas (ou outra intervenção que implique a diminuição de velocidade da circulação rodoviária);

- da mesma forma, em Pedra Furada, antes da passagem pela Igreja, os Peregrinos circulam na berma de uma via rodoviária com trânsito rodoviário significativo, murada, sem qualquer passeio e reduzida visibilidade;

- também em Pedra Furada, já no final da (longa) reta existente após a Igreja de Pedra Furada, os Peregrinos são obrigados a atravessar a respetiva via rodoviária num local sem sinalização e com pouca visibilidade. Salienta-se que foi na referida reta que se colocaram passeios para circulação dos moradores (e, também, dos peregrinos) – único “ponto crítico” que foi resolvido no passado recente, ainda que parcialmente. Urge, contundo, melhorar a sinalização e/ou agir de forma a reduzir a velocidade de circulação e melhorar a visibilidade, tanto para Peregrinos/peões como para condutores;

- em Lijó, após a Capela de S. Sebastião, o alcatroamento, no passado recente, de uma via coincidente com o Caminho de Santiago (que se encontrava em “terra batida”) sem a colocação de nenhum passeio e/ou sinalização informativa da passagem de Peregrinos é um claro exemplo da falta de sensibilização dos autarcas locais e municipais para a importância do Caminho de Santiago e da Segurança dos Peregrinos – propõe-se a criação e/ou sinalização de uma via pedonal e medidas que promovam a redução de velocidade na via de circulação. Nota que a fotografia apresentada representa a situação anterior à intervenção de alteração do pavimento;

em Tamel S. Fins / Aborim, no tramo coincidente com a N204, especialmente na proximidade e nas curvas existentes, os Peregrinos circulam entre os veículos e os rails de proteção, numa situação de enorme potencial de acidente. Não é exagerado indicar que, neste local, mais de 30000 pessoas por ano põem em risco a sua segurança. Neste situação, contudo, a iniciativa privada poderá resolver e ser a solução de um problema que deveria ser de todos;

- em Balugães, os Peregrinos atravessam a N308 numa zona sem passadeira nem qualquer sinalização e/ou informação que possa promover a redução de velocidade na via de circulação. Urge criar condições para a colocação de sinalização vertical, passadeira e lombas neste local de forma a reduzir a probabilidade de acidente.

Neste sentido apelamos a todas as entidades, principalmente as da Administração Pública barcelense, que possam criar condições de melhoria da mobilidade em segurança para os milhares de Peregrinos que atravessam o concelho de Barcelos pelo Caminho Português de Santiago. A Hospitalidade e a Cultura Jacobeia também são demonstradas pela criação de condições de segurança rodoviária para todos os Peregrinos!
Para que tenhamos, todos, um Bom Caminho!

Fotografias: Google Maps.


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